Estou cansada de ver as mesmas paredes. Os mesmos espaços ordenadamente arrumados. Estou farta dos mesmos cheiros irremediavelmente conhecidos. Não quero mais a vista que os meus olhos alcançam. Vejo, da minha janela, as mesmas pessoas que não cessam de pisar, invariavelmente, as mesmas pedras todos os dias. Cumprimento e digo “olás” aos mesmos conhecidos de ontem e de anteontem, que são tão educados quanto eu. Não saboreio novidades. Discorro sobre o mesmo todos os dias. Discorro coisas que ainda ninguém ouviu, na realidade.
Saberia as ordens, os sítios as posições de tudo (mesmo de olhos tapados). Saberia onde está tudo o que preciso mesmo que mo escondessem (e eu continuasse de olhos tapados). Faz-me mal este confortável, o estável, o parado, o estagnado, o que não se mexe. Faz-me mal o que não me abana. Fazem-me mal as coisas e as ideias magistralmente postas no seu lugar. That’s it.