É um lugar-comum que não me agrada especialmente. O de debitar longas, eternas e inexperientes teses em torno da palavra Vida. A Vida no seu sentido mais puro. A Vida que é sinónimo de nascimento, batimento, impulso, cor, tacto, cheiro e o resto dos sentidos. A Vida que voa e passa, sem que lhe toquemos com um dedo na asa. A Vida que lateja e bombeia o sangue que não vemos.
Se avançarmos que a vida é o nome comum mais soberbo, concluiremos também, e não em muito tempo, que é também o mais trágico. A Vida pressupõe um ciclo que se fecha, um ciclo que nenhum de nós pediu. Não existes – existes – não existes. Ninguém pediu isto – nem a vida, nem a morte.
A Morte, ela, no seu sentido mais frio. A Morte, a filha da puta, que entra numa casa que não é dela, por uma janela trancada. A Morte que, devendo ser mentira de tão ignóbil, é a maior certeza. A Morte que, gelada, não aquece nem acaricia a vida que ainda chora.
É uma antítese que não me agrada especialmente. A Vida e a Morte. A Comédia e a Tragédia e as palmas de um público que queria ver mais. Muito mais.