Não acordes.
Sê cego como uma criança. Deixa-te ficar assim que só assim continuarei a receber os teus olhos grandes e pueris. Os teus olhos que não pensam, que ignoram, que caminham a mandado da inocência.
Deixa-me sozinha com tudo, que eu aguento. Deixa comigo a maldade a perversão o erotismo a atracção, e eu de pernas a tremer aguentarei tudo.
Só preciso que todas as manhãs, sem saberes, me faças feliz com os teus olhos e com cada ruga da tua cara. Com o teu cabelo com as tuas mãos com a tua voz e com tudo o que consigo ver. E, ainda, com aquilo que não consigo, mas que me arrisco a adivinhar – deve ser do outro mundo.
(…E se um dia descobrir que a tua inocência foi inventada por mim serei ainda mais feliz!)