Não percebo o espaço que ocupas. Quase nunca te vejo, quando digo como te chamas. Não te enganes, que não o digo muitas vezes. A dependência de ti não existe, sabes, estás longe de ser a cocaína de uma vida.

Vejo-te só se estiver dentro do preto vejo-te e reúno as tuas peças levo o nariz a boca os olhos os sinais os braços e as mãos no fim aos seus lugares vejo-te se longe de todos os triângulos quadrados círculos e abstractisses de merda que são a nossa vida quase toda vejo-te na ausência das luminescências psicadelismos e fluorescências que pintam metade do que somos vejo-te se de respiração sustida como quem já não vive vejo-te faço-te viver gozo o sabor da tua imagem depois mato-te porque me apetece mato-te porque tenho sono mato-te porque sou eu que decido mato-te porque existes pouco mato-te porque isso não te vai doer mato-te porque me dói mato-te porque não sentes mato-te porque és fácil como um balão mato-te se engolir o teu corpo todo mato-te com um tiro ou dois mato-te no dia em que te obrigar a beber o lago de obstinação e demência que me ofereceste