Ulisses

Ó Ulisses cansado da viagem!

Medo da indiferença, da não-memória. Medo medo medo do relógio com ponteiros de areia. Terra pisada, terra pesada, terra que te moves, terra que me comes de hoje para amanhã. Dias que já não conheço, que são todos iguais, que são todos primavera verão outono inverno.

“Bom dia, Senhor!”. Senhor que já tiveste e, hoje, perdeste o teu nome.

Tu e tu e tu, são a música que eu não esqueço nunca. Mesmo que as lembranças não sejam mais que o agora. Ulisses cansado da viagem e nunca farto de a continuar! Bebé e herói. Inconsciente e sedente. Ulisses com medo da viagem e dos estilhaços. Tu que és, sendo pouco. Ulisses que, perdido e mil-homens, não és senão tu.

De si para si mesmo.