Pedro Afonso, são dez!

Um dia vou explicar-te, conversaremos, o porquê de dizer que, só faz sentido explicar os sentimentos se estivermos sozinhos. Se o mundo, o nosso, formos só nós, eu ou tu. De outra forma não faz sentido. A cada sentimento, sua pessoa. Ou pessoas. Ao maior sentimento, emendo, sua pessoa. Assim é que é!

Hei-de dizer-te que não acredito em nenhum dos romances que leio. Até posso crer que ele a amasse tanto, a ponto de envenenar a sua vida por ela. Mas, repito, acredito pouco nas descrições porque não as sinto. Porque não as sinto assim, sinto-as mais. Porque cá dentro, o amor, o meu e o teu, está entranhado. Não sai. Não se arranca. Não se diz alto. Nunca tão alto como merecia ser dito.

Sim. Não sou de ferro. Ainda me comovo com algumas descrições do que é o amor. O amor gasosamente puro. Não gosto nada das variantes que se lhe aplicam – amor de amigo, amor de família, amor de amante. Não! É amor, o que tem mais poder do lado dos “bons”. O que tem as armas maiores. O que destrói tudo, na eventualidade de ser preciso destruir tudo. Não há variantes no amor, nunca haverá. É amor, só. Comovo-me com alguns que escrevem bem e rendilham acontecimentos, por entre os quais vão aparecendo emoções e sentimentos.Mas se queres que te diga, não acredito nada neles!

O homem que dirá, escrevendo, o que é o amor, como o meu e o teu, ainda não nasceu nem nascerá. Teria, ele, que sentir, como eu sinto, que a tua carne é tua e metade minha. Ele nunca nascerá.

A tua existência compassa a minha.Vês? Eu disse que qualquer tentativa de expressão pareceria ridícula. É pobre e incapaz.

Parabéns, mon petite!