Parabéns!


Um dia e porque já estava na hora ela decidiu que tinha de lhe dizer tudo. Nunca quis fazer um resumo porque parecia que um resumo seria a datação do fim de uma coisa que não era para acabar. “De uma coisa que estava longe de estar á beira da morte”, dizia ela. Jamais faria um resumo daquilo, daqueles anos que passaram. Tudo o que ela lhe contasse naquele dia não seria – jamais! – em forma de resumo.

Ela tinha um problema, porque era natural ter problemas e porque não lhe conseguia dizer o quão ele a fazia feliz. Sim, ele conseguia fazê-la feliz. Porque ela nunca exigiu muito á felicidade e, por isso mesmo, ela vinha. Um dia perguntei-lhe como era ele e ela disse-me que ele “é simples! Faz-me rir. Respeita-me. É inteligente e complexo. É a cobaia ideal para um psicólogo. É ele. Mostra-me coisas bonitas e ensina-me outras. Ensinou-me que existe a teoria dos 6 graus de separação. Eu, sinceramente, acho que o conheço desde sempre”. Isto em jeito de enumeração não fica bonito mas foi o melhor que conseguiu. Ela achava que a amizade deles se explicava pelo facto de ambos quererem viver do mesmo modo e numa casa igual, no futuro. Mas não tinha a certeza. Ele ocupava grande parte do seu coração, e isso era bonito escrito e muito mais escrito nos seus olhos. Era verdade o que ela me dizia. Eu senti.

Como confissão, porque eu também sou um bocadinho dela, contou-me que ele a deixa “orgulhosa por cada vitória que conquista. Na verdade ele deixa-me de lágrimas nos olhos por cada vitória que conquista. Sou genuinamente feliz quando ele vence, mesmo que eu não esteja na mó de cima”.

Em casa, porque às vezes vagueio por lá, oiço o nome dele vezes sem conta. Às vezes sei que se chateiam e hoje podia ser uma puta e dizer-lhe ao ouvido dele, o que oiço lá por casa: Ela adora-te e nunca se chateia contigo a sério.
Ele tinha defeitos. Ela também.
Um dia e porque estava na hora ela decidiu que tinha de lhe dizer tudo, porque nesse dia ele nascia outra vez!